Kafka, Mônica Juliana, Banheiro, Ariclê Perez e Leo

“…um escritor que não escreve é, na verdade, um monstro que corteja a insanidade.”

Kafka, tô cortejando a insanidade tanto… A última vez que vim aqui já tem mais de um ano… fico procurando temas pra escrever, e já aprendi que isso é a faca que fura o intestino do escritor e que o leva a morte…

“Escreva, não deixe de escrever! Escreva qualquer coisa, até lista de compras… mas nunca deixe de escrever!”, me disse a saudosa Ariclê Perez.

Não obedeci. Não por rebeldia, mas por problemas. Psicológicos. Mas eis que aqui estou de volta e sem tema. Devaneando no banheiro veio algo. Estava com o notebook – sim, eu o levo para o banheiro as vezes… – fui até o google, achei o site significados.com.br e veio a seguinte explicação: “Amigo é o nome que se dá a um indivíduo que mantém um relacionamento de afeto, consideração e respeito por outra pessoa. O amigo é aquele que possui uma grande afeição por uma ou mais pessoas, que é leal, que protege e faz o possível para ajudar sempre.”

Não sei se dá pra definir a amizade. Assim como não se consegue definir o amor. Não dá, dá pra sentir, não pra explicar. Músicas lindas, Celine, Drummond, Jobim, Simone e Simaria, … Não dá!

Quando meu banheiro estava em obras, eu precisava com urgência da bancada de pedra que eu colocaria a cuba em cima na minha pia de pé de máquina de costura, um desses DIY que eu invento pela vida. A atendente da marmoraria, a Michele, se transformou na minha amiga de infância por dois dias. Conversamos, ela adorou minha ideia de pia, nós trocamos telefone, ela agilizou a entrega da minha pedra, mandei a foto da pia pra ela ver, ficamos felizes. E foi uma amizade de dois dias.

Tem amizades de anos, amizades de meses, amizades de dias, amizades de momentos, … O importante é o sentimento envolvido.

Ontem compartilhei lágrimas por baixo dos óculos de plástico de 3D vendo a Hermione dançando com o Mathew de Downton Abbey  às duas horas da manhã com a Juliana. Lembrei da Mônica Juliana segurando meu ombro em frente ao elevador enquanto eu chorava pela minha mãe. Leo veio aqui agora e me pediu uma batata Pringles que ele descobriu agora na velhice que ama. Marcos me mandou mensagem perguntando se eu já tinha almoçado. Elen me enviou um vídeo de uma cacatua dançarina e eu morri de rir. Lembro sempre da frase da Ariclê. Ana Paula me manda uma foto pelo whatsapp de alguém e rimos juntos. Li a coluna dessa semana da Maria Ribeiro no O Globo e me deu forças pra escrever. Procurei cestos de roupas sujas com a Anna e “só pode ter 40cm!” e nos divertíamos. Sento no vaso sanitário e tenho meu momento de catarse. Sim, o banheiro também é meu amigo.

Ao contrário da frase de puta, amigo precisa ser e estar.

E a insanidade olhou pra mim com desdém agora,  e começou a fazer as malas…

E Leo acordou e me lambeu.

 

aricleperez5

 

 

 

 

 

Um comentário para Kafka, Mônica Juliana, Banheiro, Ariclê Perez e Leo

  • Celso lemos  Diga:

    Adorei sua coluna,muito boa, escreva sempre, isso é uma das coisas que vc faz com brilhantismo. Fiz um espetáculo com a Sura, ” Cartas de Maria de Julieta e Carlos Drummond de Andrande, onde ele, quando a filha foi morar em Buenos Aires, pediu para ela nunca deixar de escrever, mesmo que fossem coisas do seu cotidiano, tipo ” subo as escadas de minha casa, e observo que ao chegar no andar superior…” escreve, escreve. A D O R O, bjs do seu primo apaixonado por vc. Celso.

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