“Não concordo com o que dizes, mas defendo até a morte o direito de o dizeres.”- Voltaire e o Big Brother

Todos os anos, quando o Big Brother estreia, aparecem os falsos cultos de plantão e começam a distribuir suas opiniões não solicitadas.

O pior ainda acontece quando o programa tem bons índices de audiência, e vira assunto em sites e redes sociais, a ira dos cultos de ocasião aumenta exponencialmente.

Não entendo a diferença entre assistir uma novela, uma série, um desenho animado, o big brother, ou qualquer coisa.

Entretenimento. Me entretenho com o que eu quiser. Sem culpas!

Achei esse texto PERFEITO sobre isso, do José Francisco, do site BOXPOP (o texto é de 2014, mas como todo ano é a mesma babaquice…) e vou reproduzir aqui:

 

Pelo direito de defender o que você assiste

 

“(…)Quando o Big Brother Brasil estreou, eu era um grande fã da atração. Conhecia o formato através do já clássico Casa dos Artistas e fiquei ansioso para descobrir como a dinâmica funcionaria com desconhecidos. E, para ser sincero, adorei tanto que acompanhei as cinco primeiras edições religiosamente. Depois, acompanhei a nona, a décima e a décima primeira. E só.

Se você achou que a #GONGSHOW iria esculachar o programa, enganou-se. Ao menos, por enquanto. Para isso, valho-me das palavras de Voltaire e adapto-as para a realidade da nossa coluna: “Posso não concordar com o que você assiste, mas defenderei até a morte o seu direito de assistir”.

Engraçado quando usam as palavras “baixa cultura” para classificar o Big Brother Brasil. É o mesmo público que escuta música sertaneja ou assiste a algum telejornal de maior renome, porém, manipulado pela grande mídia. Geralmente, quem usa o termo “baixa cultura”, nunca pegou um Dostoievski para ler, nunca assistiu a um Fellini ou um Pasolini, nunca viu um Bolshoi ou escutou um Bach, quiçá Strauss. Então qual são o peso e a medida usados para classificar o Big Brother Brasil como “baixa cultura”?

O pior ainda é acusar o Big Brother Brasil ser o culpado pela desgraça na qual o país se encontra. Ah, se os problemas nossos fossem realmente culpa do BBB ou das novelas ou do programa da Regina Casé. Posso muito bem assistir a qualquer programa e ainda continuar tendo uma boa consciência política. Posso continuar assistindo ao BBB e nem por isso me tornar um completo devasso sexual (aliás, era um completo devasso sexual muito antes da onda de reality show).

E sem contar a hipocrisia que é não ver o BBB, falar mal de quem vê, mas transformar o seu Facebook no olho que tudo vê. Investiga a vida alheia, faz tramoias, fofocas, intrigas, alianças, elimina pessoas, com a desvantagem de não levar um milhão na final.

Então eu tenho uma ótima ideia. Se não quer ver BBB, novelas ou o programa da Regina Casé, tem a TV Cultura como uma ótima programação cultural, não apelativa, não popular, feita sob medida para qualquer filósofo de orelha de livro. Se ainda não tiver saco para ver TV, vá ler um livro, ouvir uma ópera, transar um pouco. Vai ser feliz e deixe os outros serem felizes da maneira que bem entenderem.” – José Francisco

 

Se você leva a vida entre clássicos literários e musicais e não tem tempo para nenhum tipo de futilidade, não senta na mesa de um bar e ri de alguma bobagem, não assiste desenho animado, não fala bobagens, não conta piadas sem graça que são engraçadas por serem sem graça, infelizmente você é infeliz.

 

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“Quando você chega em casa à noite, tudo o que quer é assistir à maior besteira do mundo para escapar da realidade. Acho que a gente costuma usar a palavra escapismo como algo ruim, quase pejorativo. Mas não dá! A gente precisa escapar! Ninguém aguenta só realidade”

 

Ou os psiquiatras vão te dar um pílulas de felicidade ótimas…

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