“Preciso fazer terapia para aprender a lidar com quem devia fazer terapia e não faz”

Deixei de fazer muitas coisas que fazia. Mudei. Esse diálogo realmente aconteceu:

 

– Ai, as pessoas estão mais e mais insuportáveis ou é impressão minha?

– Impressão sua. Essas pessoas que você reclama sempre foram insuportáveis. Você é que não está mais com paciência com elas.

 

E eu que estava no google procurando sobre distimia, fechei a página e engoli aquilo. É verdade. Analisando os fatos, as pessoas das quais reclamei continuam as mesmas, fazendo tudo igual. Claro que existem algumas que se transformaram em versões pioradas de si mesmas, mas continuam falando, fazendo exatamente o mesmo.

Não sou uma pessoa fácil. Sou dificílimo! Tenho temperamento difícil, explodo sem saber em quem os cacos vão atingir, quando estou com raiva atiro palavras dilacerantes no alvo e quando você abre o dicionário e procura o significado de rancoroso está lá meu nome. Mas, colocando a modéstia de lado, a minha melhor qualidade é ser amigo. O famoso “pau pra toda obra”.

Mas quando disse lá na primeira frase que mudei, foi isso. Não quero mais ser amigo. Não quero mais ser melhor amigo. Ser amigo unilateral é foda. Não quero mais fazer o que fazia antes. Não quero mais me preocupar em agradar.

Metáfora tosca mas contundente: Em toda a páscoa eu te dou um ovo de páscoa. Dou de presente, de coração.  Mas passam anos e você nunca me dá um bombom, mesmo sabendo que eu vou te dar o ovo, como todo ano. Eu não te dei o ovo pra receber outro em troca. Te dei porque quis. Mas depois de anos, você cansa. cansa da falta da reciprocidade de sentimentos, cansa da falta de compromisso.

Usei uma metáfora sobre algo comercial, mas o ovo de páscoa pode ser um ombro, um ouvido para escutar seus problemas, uma ajuda em sua festa de aniversário, um favor.

Retifico: não mudei. Apenas cansei. E preciso me reinventar.

Achei um texto no blog desabafoaki.blogspot.com.br e ele me representou. Mas sim, continuo achando que tenho distimia.

 

“Estou cansado, muito cansado.

Cansado de gente estúpida, ignorante, prepotente, que pensa que o mundo gira no seu único e próprio umbigo.

Cansado de gente vazia que não sabe o que diz, o que faz, de onde vem e pra onde vai (se é que vai).

Cansado de gente falsa, hipócrita, que trata todo mundo como se fossem todos amigos – e são todos inimigos dentro de uma mesma trincheira.

Cansado de gente que sorri o dia todo e, durante a noite, dorme, deixando toda merda que fez pra que seja limpa pelos que tem insônia e passam madrugadas de angústias e depressões não entendendo do que essa gente tanto se diverte.

Cansado dessa gente que se diverte ás custas dos outros, que esquece dos outros, que vive ás custas dos outros, que come pelos outros, que bebe pelos outros, que rouba o sonho dos outros, que não diz obrigado, que não dá licença, que não permite, que invade, que atrapalha. Gente que ofende, que não sabe discordar sem acordar a fúria que dorme disfarçada de lobo traiçoeiro, feito cobra venenosa que rasteja pronta para o bote.

Cansado de ver toda essa gente que caminha parada no mesmo lugar e ocupa espaço, mas não preenche nada, e não anda, mas acha que manda e faz e desfaz o que bem quer, sem saber o que significa o bem querer.

Cansado de gente que só sabe e conhece um único verbo e só faz uso dele em um único tempo, o presente, e passa o tempo todo do mundo “colhendo”, “colhendo” e “colhendo”, e desconhece toda e qualquer arte de semear, plantar, cuidar e preservar a espécie.

Estou cansado dessa espécie que infelizmente não entra em extinção, ao contrário, prolifera a cada dia. Estou cansado e cansado e cansado de gente fraca que não tem opinião e que muda de opinião sem ao menos ter opinião.

Cansado de gente que pensa, que pelo fato de “ler” 3 mil livros da estante armada no canto da sala para visita ver sabe mais da vida do que aquele que leva o lixo da calçada a cada novo dia e, a cada nova noite, chega em casa com as mãos, os pés e o coração estraçalhados de sentir na própria pele e na própria alma a dor e sofrimento de não fazer parte dessa gente que eu digo: estou cansado.

Hoje quero acordar mais cedo, quero ver o sol, sentir calor, beijar minha mulher e meus filhos, dizer bom-dia e, ao som da mais bela canção, embalar meu sonho de criança de jamais estar cansado de gente como eu…”

 

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